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As vozes da SIC

Augusto Seabra – Voz off da SIC
Se há vozes que não são reconhecíveis a menos que saiam devidamente colocadas, a de Augusto Seabra está fora desse grupo. Seja ao telefone seja ao vivo, é dono de uma voz impressionante que quem ouve tem a certeza absoluta de conhecer de algum lado. Só não está a ver de onde.
Foi a primeira voz da SIC, há 18 anos. Aguentou um ano e meio: "Pedi a demissão. Já não conseguia ouvir a minha própria voz. Naquela altura toda a gente via a SIC, que tinha intervalos com sete promoções e anúncios publicitários também com a minha voz. Não aguentava mais." Hoje, garante, já não cansa tanto. Mas nem só da SIC vive o homem. Augusto Seabra faz trailers para o cinema e não fica nada atrás do senhor americano de voz profunda. Agora sente-se no sofá e ligue a televisão. Daqui a nada deve dar um anúncio da Gillette. Ou mesmo da Actimel. Quem sabe se do Bollycao? Preste atenção. É a mesma voz que vai ouvir nas promoções da SIC. Bollycao? Perante a incredulidade da jornalista, Augusto encarna toda a energia que o produto pede e acaba com as dúvidas de uma vez por todas. Logo a seguir faz a voz da Gillette, o melhor para o homem, mas pára antes que jornalista e fotógrafo peçam que monte no estúdio um pequeno espectáculo de variedades de voz.
Augusto Seabra também começou nas rádios piratas, mas o curso de voz da TSF, há 23 anos, é que lhe ensinou quase tudo. Foi também graças a essa experiência que foi parar à Rádio Comercial, onde fez programas como "TNT - Todos no Top" e "Rock em Stock". "Acabei por trabalhar com a malta toda que admirava na altura: Luís Filipe Barros, António Sérgio, Rui Morrison..." Mas a maior surpresa foi o arranque de toda a carreira de Augusto: "Andei 15 dias em digressão com o José Cid, em Paris. Eu tocava bateria. Houve um dia que dei uma entrevista para o Rádio Clube Português e foi aí que me disseram que eu tinha boa voz para locução." Tinha 18 anos na altura e não pensou duas vezes. Arrumou a bateria e fez-se à voz.

Eduardo Rêgo - Voz "BBC Vida Selvagem"
Sabe quando toma o pequeno-almoço ao sábado e domingo, de olhos postos na SIC, a admirar a vida da bicharada, e comenta com a cara-metade a maravilha que é a voz do locutor? Eduardo Rêgo é o dono e senhor desse tom de voz relaxante, capaz de acalmar a alma mais stressada ou nervosa do mundo. Quando Eduardo descreve a vida selvagem, nada mais importa. Os espectadores sentem-se parte do acasalamento das orcas, da vida em comunidade dos leões ou da organização quase militar das formigas. A voz é tão envolvente que há quem lhe diga que a meio do programa já nem liga aos bichos: só o ouve.
Mas não pense que foi fácil chegar a este tom de voz, a esta dicção perfeita. Para aqui chegar foi precisa "uma luta titânica contra o sotaque minhoto", garante Eduardo. O locutor, que estudou num seminário em Guimarães e por pouco ia sendo padre, começou a carreira em 1977, na Rádio Renascença, depois de ter acabado o curso de Teologia: "Fui o primeiro realizador de programas da Renascença", garante, com orgulho. Além de fazer locução, é dono de uma empresa de tradução e legendagem, que partilha com uma das filhas. Afinal a locução só lhe leva dois dias por semana.
O bicho da rádio atacou-o quando ainda era miúdo, e até no seminário gostava de dar música aos colegas, durante os jogos de voleibol e futebol.
À Renascença deu 15 anos, até que decidiu sair para dirigir uma rádio local: a Rádio Mais, da Amadora. Daí passou para a RTP, onde foi voz da estação e onde, pela primeira vez, fez locução de documentários da natureza. Até hoje, 22 anos depois, continua a ser a sua grande paixão: "É um prazer inimaginável. Não há coisa mais reconfortante que a natureza." Nem que a voz de Eduardo Rêgo, atrevemo-nos a acrescentar.

Pode ler, também, uma entrevista feita pelo SIC Blogue em Fevereiro de 2009 a outra das vozes da SIC: Jorge Gomes! Leia AQUI!

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