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"Estou bem como estou" - Daniel Oliveira

Ambicioso, contrariou as probabilidades que a toxicodependência dos pais poderia ditar. Campeão nacional de xadrez aos 13 anos, aos 16 fundou um jornal ‘caseiro’ e assim começou a trabalhar na SIC. Hoje é subdirector de conteúdos de entretenimento. Tem o rótulo de apresentador amigo dos futebolistas, que faz os entrevistados chorar, mas não se recorda da última lágrima que deixou cair. Tudo numa entrevista de Daniel Oliveira ao SOL
Como surge o convite para a SIC? 
Nunca achei que alguém me convidaria para trabalhar aqui, não era esse o meu propósito. Quando surgiu o convite para vir cá uma sexta-feira dar assistência e quando, na semana seguinte, esse convite se estende à quarta-feira e depois passa a ser uma rotina diária, julguei que seria uma coisa esporádica e portanto tinha de aprender o máximo. Vivia fascinado com aquilo tudo. 

Pagavam-lhe? 
Sim, 37 contos. Com o primeiro ordenado comprei um telemóvel, um tijolo que custou 19.900 escudos. No segundo ordenado aumentaram-me mais do dobro. 
Foi esse fascínio que quase lhe custou o emprego logo no primeiro dia? 
Foi no segundo dia. Tinha de premir o teleponto para o David Borges no Donos da Bola. No início da segunda parte, esqueci-me. Estava na redacção com o Jorge Gabriel quando vejo o genérico no ar e me apercebo que deveria estar no estúdio. Vou a correr desalmadamente e, quando entro, já está o David pendurado. Estamos a falar de três segundos, que em televisão é uma eternidade. Tive a benesse de ser perdoado. 
Como é que, tendo a oportunidade de entrar na SIC, um ano depois sai para a TV 7 Dias? 
Sentia que estava a ficar estagnado. Os meus trabalhos estavam a cingir-se aos trabalhos de produção, pesquisa e análise, e achava que tinha capacidade para mais. Não me arrependo. Foi depois da TV 7 Dias que fui convidado para ser jornalista fundador da SIC Notícias, na área do desporto e no Caras Notícias. Provavelmente, se tivesse ficado, isto não teria acontecido. 
Foi convidado pelo director do canal, Nuno Santos. A vossa relação começa aí? 
Sobretudo aí. Falávamos circunstancialmente na SIC, entrevistei-o uma vez para a TV 7 Dias, mas começa sobretudo aí. Temos uma relação de amizade, respeito e admiração. Ao contrário do que algumas pessoas queriam fazer crer, sempre foi uma relação em que o pessoal e o profissional não se misturavam. 
Sempre foi visto como um boy de Nuno Santos... 
Sim, por quem não quer ter uma visão fria e racional das coisas. Sempre provei que as coisas que fiz faziam sentido nas grelhas dos canais, a amizade não se misturava com a via profissional. O Nuno foi crítico quando teve de ser e elogioso quando teve de ser. Desde esse convite acompanhou Nuno Santos em várias mudanças de camisola, nomeadamente entre a SIC e a RTP. 
Já falaram de um regresso seu ao canal público? 
Não, já mudei várias vezes com ele, mas estou muito bem como estou. Sou subdirector de conteúdos de entretenimento na SIC, o que me dá oportunidade de fazer o que quero, tenho quatro programas no ar de minha autoria e coordenação, todos com bons resultados. Tenho estabilidade profissional. 
Mesmo estando a recibos verdes? 
Agora já não estou, entrei para os quadros há um ano. Precisava de estabilidade e de criar raízes e essa mudança trouxe isso. Mas nunca senti que o meu trabalho fosse menorizado por não ser dos quadros, sempre tive respeito e autonomia e sempre fui pago de acordo com o trabalho que fazia. Passados três anos – voltei à SIC há cinco – esta era a evolução natural do meu percurso. 
Há quem aposte que chegará a director de uma estação de televisão... 
Não tenho nem urgência nem necessidade de aspirar a um cargo desses. Não vivo com essas ansiedades. Sei que não desempenharia mal uma função desse tipo, mas não sei se quereria. Estou muito realizado a fazer entrevistas e a pensar programas e a pô-los no ar com sucesso e a baixo custo. 
Para si tudo gira em torno da televisão? 
Não. Não me tornei uma máquina de fazer televisão. Continuo a ser um homem que gosta de fazer televisão, mas que tem uma vida para além da televisão. 
Mas um homem que não chora? 
Choro, mas não tem acontecido. Emocionei-me quando o meu primo Diogo Salomão se estreou pelo Sporting em competições internacionais e marcou um golo. Fiquei ainda mais emocionado quando se estreou pela Selecção de esperanças. Mas não me lembro da última vez que chorei.

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