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Luís Marques e as audiências

O presidente da Comissão de Análise e Estudos de Meios ( CAEM) está“cansado das insinuações” sobre o facto de acumular a liderança do organismo e a direção- geral da SIC. “Nunca ninguém me disse isso na cara, mas esse rumor, essas coisas que as chamadas fontes dizem em surdina, e que são reproduzidas nos jornais, são inadmissíveis”, afirma ao DN Luís Marques.
O responsável afirma que não quer “entrar nesse jogo”, nem vai tentar encontrar “qualquer leitura para as insinuações”, mas é taxativo: “Não admito que ponham em causa a minha honorabilidade”, enfatiza. Luís Marques lembra que preside à CAEM rotativamente e em regime de substituição. 
“A Comissão tem três secções: a dos meios, que reúne RTP, SIC, TVI, Zon e Meo, a dos anunciantes, representados através da Apan [ Associação Portuguesa de Anunciantes] e das agências de publicidade e planeamento de meios.” A presidência da CAEM é rotativa e assegurada em mandatos de dois anos. “Todo o processo do concurso para a medição de audiências de televisão foi conduzido durante o mandato anterior. Não foi esta direção, por mim presidida, que escolheu a GFK, por qualquer interesse ou benefício da SIC, como se tem feito crer. Não, este processo e este concurso foram conduzidos e aprovados em março do ano passado, quando a presidência da CAEM era assegurada pela Apan, na pessoa do Luís Mergulhão”, explicou. 
Terminado o mandato dos anunciantes na direção da Comissão, o regulamento definia que a presidência, em meados de 2011, fosse assegurada pelos meios, pelo que foi coube à SIC indicar um seu representante para a liderança. “A SIC escolheu o dr. José Alberto Bastos e Silva, numa altura em que a GFK já tinha sido escolhida, de acordo com a ponderação técnica e financeira definida no caderno de encargos.” Luís Marques, que nos últimos meses assegurou a presidência da CAEM, pela impossibilidade de Bastos e Silva, por questões de saúde, continuar em funções, confirma que a GFK foi escolhida sobretudo por razões financeiras. 
“O concurso para a medição de audiências teve quatro candidatos. Houve duas desistências e ficaram para a fase final a Maktest [ que mediu as audiências durante a última década] e a GFK. Na componente técnica a Marktest ficou à frente. Na componente financeira a proposta da GFK era melhor. Eu não estava na direção da CAEM nessa altura, mas sei que foi feita uma ponderação, que estava definida no caderno de encargos, e a GFK ganhou o concurso”, explicou. Desde o dia 1 de março, as audiências de televisão têm sido medidas pela nova empresa, num processo que tem causado grande polémica. 
A RTP1 é a mais inconformada com os novos resultados, uma vez que viu as suas audiências caírem abruptamente seis a sete pontos percentuais. Além disso, alguns dos seus programas mais emblemáticos passaram para último lugar, casos do Telejornal e do Jornal da Tarde. 
A polémica levou já a Comissão de Trabalhadores da RTP a pedir à a administração que impugne o processo. A Entidade Reguladora para a Comunicação Social admite intervir no processo, estando a recolher a informação necessária.
DN