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Director-geral da SIC garante que “quem manda na empresa é o dr. Balsemão”, mas no que diz respeito à operação corrente da estação o poder cabe-lhe a si e está “confortável com isso”.
Algumas pessoas, como Teresa Guilherme, vieram a público decretar a morte da SIC. Como reage a isso?Parafraseando Mark Twain, as notícias da morte da SIC são bastante exageradas. Há pessoas que confundem desejo com realidade. Em 17 anos a SIC viveu bons e maus momentos, como todos os operadores. E conseguiu sempre recuperar, devido ao esforço, dedicação e profissionalismo dos seus colaboradores. É preciso separar a árvore da floresta. Em Outubro de 2008 iniciámos um processo de reestruturação, profundo e complexo, e é aí que nos temos concentrado. Queremos que a SIC seja um operador competitivo.
E sobre as críticas de Teresa Guilherme, que disse haver demasiada gente a mandar na SIC?
A Teresa Guilherme devia pôr as mãos na consciência antes de falar. Ela é responsável por algumas das graves situações que estamos a resolver, não só agora mas nos próximos anos. Basta ver a carteira de programas que ela nos deixou. Enquanto isso, a Teresa Guilherme pode estar os próximos dez anos sem trabalhar, disse-o ela. Esse conforto financeiro deve-o, pelo menos em parte, à SIC. A gratidão não é uma das suas qualidades.
O Herman José teve uma atitude semelhante...Infelizmente não tínhamos nenhum projecto para o Herman. Relativamente às declarações que tem feito sobre a SIC, foram muito injustas. Estou certo de que a SIC sempre tratou bem o Herman e que ele teve uma atitude desproporcional, face a algo que é normal nesta actividade. O fim da relação contratual é normal e não justifica, nem desculpa, aquilo que o Herman disse.
Voltando à reestruturação, concretamente o que foi feito nos últimos seis meses?Vendemos três empresas [iplay, TDN e Dialectus], alterámos a organização, definimos uma nova estratégia, aumentámos a produção interna, ajustámos o orçamento à realidade do mercado, o que não foi nada fácil. Temos em marcha um ambicioso projecto de investimento, apesar da crise. Isto não é visto de fora, o que leva as pessoas a dizerem alguns disparates.
A direcção de Informação e de Programas têm vários directores. Está prevista uma reorganização?Já houve algumas mudanças. Na direcção de Informação, por proposta do director, Alcides
Vieira, introduzimos alterações para tornar mais ágil o processo de comando da direcção de Informação. Acredito que vamos introduzir ainda algumas melhorias para tornar mais eficiente a gestão da redacção.
A Informação continua a ser uma aposta muito forte …A Informação é uma grande marca da estação, um activo muito forte, já que o núcleo duro da redacção é fundador e tem grande ‘know how’. Algumas pessoas vacilam quando olham para as audiências, mas é preciso ver mais longe. Vacilar às primeiras contrariedades foi o que, em parte, conduziu a SIC ao ponto em que estava!
Apesar de tudo, o ‘Jornal da Noite’ continua a ser o menos visto...
Como já referi, a importância da Informação não se mede apenas pelas audiências. No caso do ‘
Jornal da Noite’, no entanto, estamos muito satisfeitos com o seu desempenho, dado que tem audiências sempre acima da média da estação. Pode, obviamente, fazer melhor. Mas isso tem a ver com o contexto da nossa oferta e não com a qualidade do jornal.
E no que diz respeito à entrevista de Ana Lourenço a José Sócrates? Foi a menos vista de todas as que deu como primeiro-ministro...O resultado da entrevista não teve a ver nem com a entrevistadora [
Ana Lourenço], nem com o entrevistado [José Sócrates]. Teve a ver com o contexto político.
Faz elogios aos profissionais da SIC, mas alguns manifestam, para fora da empresa, descontentamento em relação a si...Não conheço essas críticas. Internamente não me chegam, mas também não estou aqui para agradar a toda a gente, ficou muito claro quando assumi este lugar. Quero defender os interesses da empresa, definir uma estratégia. Para mim, o dever de um quadro de uma empresa é defender a empresa e os interesses da empresa. Se o fazem, lamento.
E como é a sua relação com Bastos e Silva, anterior director-geral?Sempre foi boa e continua. O dr.
Bastos e Silva é membro da Comissão Executiva e todas as semanas temos reuniões.
No que diz respeito às audiências, as coisas têm estado difíceis para a SIC.
Nós estávamos preparados para esta fase difícil. Há pessoas que têm uma enorme capacidade de prever o futuro. Sou uma pessoa normal e, por isso, só consigo antecipar, por exemplo, que uma final entre o Barcelona e o Manchester United é capaz de ter mais audiência do que os ‘Malucos
do Riso’. Gerimos o que temos, com enormes constrangimentos orçamentais. Apesar disso, a SIC já está mais competitiva e vai estar ainda mais. Mas também analiso a concorrência e sei quais são os seus pontos fortes e fracos.
E como prevê o futuro da SIC?Prevendo nós que a primeira fase do ano seria mais difícil, preparámos uma segunda fase que prevemos seja melhor, com apostas que já estavam pensadas há meses. É o caso de ‘Salve
-se quem Puder’ e outras que virão. A nossa estratégia foi delineada no final do ano passado e está agora a entrar em prática de forma mais consistente. O ‘day time’, a partir do dia 29, vai mudar e só podíamos fazer essa alteração agora, nomeadamente por razões contratuais. E estamos a preparar mudanças mais significativas para Setembro. O percurso que vamos ter é difícil e demorado. Não ando aqui a vender ilusões a ninguém.
Os constrangimentos contratuais são com a Comunicasom. Essa relação já está definida?
Ainda não. O contrato como está não será renovado. Queremos manter a parceria mas não nos mesmos moldes. Estamos a trabalhar com eles no programa de Verão, fora do estúdio, até para isso nos permitir fazer algumas mudanças que queremos introduzir nos programas. E estamos a trabalhar no contrato para quando regressarmos a estúdio, em Setembro.
Faz sentido voltar a estúdio com programas personalizados, como o ‘Fátima’?Estamos a repensar isso tudo. Temos um projecto a que chamámos Projecto Inovar, constituído por um conjunto de equipas que estão a trabalhar em várias áreas e já temos as conclusões praticamente fechadas. A única coisa que posso dizer é que os programas não serão os mesmos, não terão os mesmos conteúdos e também não serão feitos no mesmo sitio.
As receitas publicitárias têm estado em queda. Espera que melhorem com a subida das audiências?Estamos todos conscientes que este é um ano muito difícil. Isso obrigou-nos a uma revisão orçamental logo no início do ano. Mas ninguém está seguro do que acontecerá até ao final do ano. Os sinais são contraditórios. Se mantivermos o desempenho dos primeiros meses, poderemos fazer um ano relativamente confortável.
E em termos de audiências, qual é o objectivo?O objectivo definido no final de 2008 para este ano é atingir uma audiência de 23,5 a 24 pontos de share. Se fechássemos hoje o mês, estaríamos dentro desse objectivo. Mas nada nos diz que não poderemos estar melhor.
Concorda com a decisão do Regulador (ERC) em relação ao jornal de Manuela Moura Guedes, na TVI?Há um excesso por parte da ERC nessa matéria. Não concebo que possa ser a ERC a definir o que é o bom e o mau jornalismo. Isso cabe-nos a nós, jornalistas, e aos consumidores. Haver uma entidade que diz que determinado jornal não respeita as regras é uma tentação imprópria de um País democrático. No caso da Manuela Moura Guedes, o jornal tem coisas boas e más como os outros. Quem gosta vê, quem não gosta não vê.
E às críticas de José Eduardo Moniz aos gastos da SIC, com os programas de Verão, como responde?
Não entro nesse jogo. Esta actividade é tão importante que os seus responsáveis tudo devem fazer para evitar o circo à sua volta. E, já agora, também não é aconselhável atirar pedras para o ar... Nunca se sabe onde estão os telhados de vidro. Quero colocar as questões num plano institucional. Nesse plano, por exemplo, acho que a RTP, para minha surpresa, tem adoptado praticas de contra-programação que acho impróprias para um serviço público de TV.
Tem saudades da RTP?Não. Tenho saudades dos amigos que lá deixei e dos excelentes profissionais que lá trabalham. O resto é uma história bonita e estimulante, manchada nos últimos meses por uma lição de hipocrisia e cinismo, que não esquecerei tão cedo.
Quando era administrador da RTP defendia a publicidade no canal público. Ainda tem a mesma opinião?O problema é complexo. A forma que se encontrou na RTP para resolver o problema do endividamento foi muito difícil. O problema que se coloca no futuro é que serviço público temos e quanto é que os portugueses devem pagar por esse serviço. Haver ou não publicidade na RTP depende das respostas que forem dadas a essa questão. O Estado aqui tem de ter coragem para assumir que tem uma empresa pública com uma dívida muito grande e que, portanto, tem de haver uma solução para essa dívida.